03 de julho de 2022 · Ambiente & Ciência
GLEX Summit: Debate sobre o futuro da economia espacial foi ignição para a cimeira que arranca esta segunda-feira nos Açores
As próximas missões da NASA à Lua e a Vénus, a construção da primeira estação espacial privada pela Axiom Space,…

As próximas missões da NASA à Lua e a Vénus, a construção da primeira estação espacial privada pela Axiom Space, os satélites portugueses da GeoSat que estão a monitorizar o planeta e as experiências laboratoriais realizadas em microgravidade foram alguns dos temas abordados na GLEX Ignition. Uma sessão que contou com a participação do Ministro da Economia, António Costa Silva, e que antecipou o arranque da maior cimeira de exploradores do mundo, juntando mais de 200 especialistas nacionais e internacionais na Gare Marítima de Alcântara.
Transmitida em live streaming para todo o mundo, a partir da Gare Marítima de Alcântara, a GLEX Ignition juntou, em Lisboa, alguns dos principais players da indústria espacial e da exploração científica, numa sessão inteiramente dedicada ao futuro da exploração e da economia espacial, em jeito de prelúdio ao programa GLEX Summit 2022, que os Açores acolhem a partir desta segunda-feira e até ao próximo dia 7.
A sessão, realizada em parceria com a Agência Espacial Portuguesa e em colaboração com a International Space University, lançou perguntas, mas também respostas sobre o nosso futuro e deixou uma mensagem clara: precisamos de cuidar do nosso planeta, enquanto tentamos descobrir soluções para a nossa permanência no espaço.
O Ministro da Economia, António Costa Silva, abriu a sessão e deu o mote a esta ideia: “ Estamos a destruir a biodiversidade do planeta e insistimos em repetir os mesmos erros. A interação entre o espaço e os oceanos é fundamental para combatermos a crise climática e anteciparmos decisões futuras. Precisamos de novas ideias, de novas tecnologias, mas também de novas políticas públicas para salvarmos o planeta ”.
Dos oceanos terrestres para os oceanos cósmicos, James Garvin, cientista-chefe da NASA e precursor da exploração em Marte, recorreu ao legado de Fernão Magalhães para lembrar que, como exploradores, “ estamos perto de ver coisas que nunca imaginamos ver ”. Dando como exemplo o novo telescópio espacial James Webb, que a NASA desenvolveu ao longo dos últimos 20 anos, James Garvin acredita que “ vamos agora conseguir ver melhor, maior e ainda mais longe ”.
Mas não só. Com o recurso a novas ferramentas e tecnologias, James Garvin acredita que as novas missões à Lua e a Vénus vão fornecer resultados mais precisos, abrindo novas portas à compreensão do nosso universo. “ Usando estas novas ferramentas, vamos tentar descobrir onde estiveram e porque desapareceram os oceanos de Vénus. Seriam iguais aos que temos hoje na Terra? E será o nosso futuro igual ao presente de Vénus? ”
As perspetivas para a economia espacial
A par da exploração científica, também a economia espacial parece estar a desenvolver-se a um ritmo nunca visto, sobretudo após o aparecimento de empresas privadas como a SpaceX ou a Axiom Space. “ É uma indústria que está a desenvolver-se rapidamente e a ligar-se a outros setores da economia ”, admite Pascal Ehrenfreund, presidente da Internacional Space University.
“ Por força do pioneirismo destas empresas, ir hoje ao espaço tem custos muito mais reduzidos, embora existam aqui razões comerciais ”, destaca, por sua vez, Raphael Roettgen, investidor e sócio-gerente da EM2C Ventures. “Estamos a dar um passo em direção ao futuro e a construção da primeira estação espacial privada é disso um exemplo, até porque ninguém parece estar a planear substituir a atual ISS” , afirma Michael López-Alegría, antigo astronauta da NASA e atual vice-presidente da Axiom Space.
“ É verdade que o espaço ainda não é acessível a todos. Mas um dia será acessível a muito mais gente, tal como aconteceu na história da aviação comercial ”, reforça López-Alegría que, em abril passado, comandou a primeira missão totalmente privada à Estação Espacial Internacional.
Dos satélites portugueses às experiências em microgravidade
A GLEX Ignition deu ainda a conhecer a nova geração de satélites da portuguesa GeoSat, uma das únicas duas empresas na Europa a operar neste mercado. “ São satélites de grande resolução e que permitem observar a Terra de uma outra perspetiva, sendo utilizados para vários fins, desde a agricultura ao tráfego marítimo, passando pelos fogos florestais, a ajuda humanitária, a segurança e também a defesa ”, enumerou Francisco Vilhena da Cunha, CEO da GeoSat.
Noutra perspetiva, foi ainda apresentada a Zero G Fligths, empresa norte-americana que foi pioneira na realização de voos parabólicos e que, desde a sua criação, em 2004, já proporcionou esta experiência a mais de 7 mil passageiros, incluindo alguns nomes famosos, como Stephen Hawking, Elon Musk, Jeff Bezos, Richard Branson ou Martha Stewart. “ Não é uma simulação, é mesmo real. Durante 8 ou 9 minutos, sentimos o que é estar no espaço . É uma experiência única, surreal” , garante Matt Ghod, CEO da Zero G.
Além de clientes privados, a empresa realiza também voos educacionais, disponibilizando ainda três a quatro voos por ano para a realização de pesquisas e testes laboratoriais em microgravidade. Num desses voos, foi impressa a estrutura do primeiro coração 3D em gravidade zero.
A GLEX Summit é uma organização conjunta da Expanding World e do The Explorers Club of New York, com os apoios do Governo dos Açores e do Turismo de Portugal, e em parceria com a Agência Espacial Portuguesa – Portugal Space, Estrutura de Missão do V Centenário da Primeira Circum-Navegação, Axiom Space e Lexus.