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05 de julho de 2022 · Ambiente & Ciência

Primeiro dia da GLEX Summit nos Açores dedicado aos oceanos cósmicos e terrestres

A partir do mote “What’s Next?”, a GLEX Summit está de volta à descoberta, dedicando quatro dias a tudo o…

Primeiro dia da GLEX Summit nos Açores dedicado aos oceanos cósmicos e terrestres

A partir do mote “What’s Next?”, a GLEX Summit está de volta à descoberta, dedicando quatro dias a tudo o que se passa além dos limites da terra, dos oceanos e do espaço, naquela que é já considerada a “Davos” da exploração mundial. O primeiro dia da cimeira foi centrado no futuro da exploração espacial e nos oceanos.

Este encontro absolutamente inédito a nível global junta até à próxima quarta-feira, no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, as principais “lendas vivas” da exploração científica, apresentando mais 40 painéis e oradores de 16 países, vindos dos cinco continentes.

José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, abriu o programa deste primeiro dia, destacando a importância deste evento para potenciar o desenvolvimento do arquipélago através da sustentabilidade:  “Sentimos a sustentabilidade como parte da nossa história, porque gostamos de proteger a nossa natureza, a nossa biodiversidade e a nossa paisagem. Os Açores são um exemplo para o mundo do que podemos e devemos fazer para proteger o nosso planeta. Podemos ser uma região ultraperiférica, mas hoje, na abertura desta cimeira, sentimo-nos no centro do mundo” , afirmou José Manuel Bolieiro, na sessão de abertura da GLEX Summit, esta segunda-feira, no Teatro Micaelense.

Rita Marques, Secretária de Estado do Turismo, confessou, também na sessão de abertura, que não conseguiria imaginar  “melhor local do que os Açores para receber esta cimeira” , lembrando que sustentabilidade tem sido, desde há vários anos, uma das grandes apostas do Turismo de Portugal para promover o país.  “Não podemos viajar sem cuidarmos do planeta onde vivemos” , sublinhou.

Cientistas, astronautas, vulcanólogos, aquanautas, biólogos, conservacionistas, geocientistas, exploradores e investigadores, das mais diversas áreas, passaram pelo palco do Teatro Micaelense para partilharem, na primeira pessoa, as descobertas mais recentes e as tecnologias que estão a impulsionar o mundo e  “a abrir caminho a uma nova era dourada da exploração ”, como referiu Richard Garriot, astronauta privado e presidente do The Explorers Club, a mais antiga agremiação de exploradores do mundo.

Navegar pelos oceanos cósmicos

Inspirado pelo legado de Fernão Magalhães, James Garvin subiu ao palco para revelar as grandes missões que a NASA está a preparar a próxima década, incluindo o regresso à superfície de Vénus, depois da última missão em 1985.  “É um regresso entusiasmante, porque temos agora outro tipo de ferramentas e tecnologias avançadas que nos permitirão estudar a fundo as suas origens. Tal como a Terra, Vénus também já foi um planeta de oceanos há muitos milhões de anos, pelo que é crucial percebermos o que levou ao seu desaparecimento” , explicou o cientista-chefe da agência norte-americana e líder da missão DAVINCI a Vénus.

“A nossa missão será lançada em 2029, voará duas vezes ao redor do sol, mapeando Vénus em cada uma das vezes, e aterrando em junho de 2031” , pormenorizou. A missão permitirá também medições de gases não descobertos, incluindo componentes que poderão ajudar a revelar a presença de água.

Com um calendário mais próximo de se concretizar está o ambicioso projeto da privada Axiom Space para a construção da primeira estação espacial comercial.  “É um novo capítulo que se inicia no ecossistema espacial e que vai multiplicar as possibilidades de expandirmos o nosso conhecimento do universo” , garante Michael López-Alegría, antigo astronauta da NASA e atual vice-presidente da Axiom Space.

“ A nova estação, que de início estará acoplada à atual Estação Internacional (ISS), será construída por fases, entre 2024 e 2028. Incluirá um módulo para habitação, outro para pesquisa e um terceiro para garantir a energia e funcionamento de toda a estrutura. Não será apenas para levar pessoas ao espaço. Será, sobretudo, para levar investigadores que possam testar e construir algo em ambiente de microgravidade” , destacou.

A estratégia dos Açores para o espaço, que será em breve reforçada com a construção do primeiro “Space Port” na ilha de Santa Maria, os os vulcões extraterrestres descobertos por Rosaly Lopes, nas luas geladas de Júpiter, assim como a arte e a inclusividade no espaço, foram outros dos temas em destaque na sessão da manhã.

Futuro do planeta passa por oceanos saudáveis

Durante a tarde, voltamos à Terra e mergulhamos nos oceanos profundos, à boleia de alguns dos principais especialistas em conservação e proteção da vida marinha, como a cientista Rachel Graham, que alertou para a necessidade de repovoar os oceanos com tubarões, a biólogo Edie Widder, que se dedica à exploração de espécies em águas profundas, ou o premiado biólogo Austin Gallagher, também conhecido como o “rei dos tubarões-tigre” e cujos avós eram pescadores nos Açores.

Neste segundo painel, passaram também pelo palco o ecologista marinho Jorge Fontes, investigador na Universidade dos Açores, e o ecologista e também investigador Emanuel Gonçalves, que alertou para o apocalipse da extinção de espécies marinhas e para os efeitos da crise climática nos oceanos. Membro da Fundação Oceano Azul, Emanuel Gonçalves apresentou ainda o projeto que está a ser desenvolvido ao largo das ilhas Selvagens, atualmente já a maior área marinha protegida em todo o Atlântico Norte.

Segundo dia da GLEX Summit dedicado ao planeta Terra

Esta terça-feira, o segundo dia da Global Exploration Summit será inteiramente dedicado à Terra e aos desafios no aproveitamento de recursos que ajudem a resolver os problemas atuais e futuros da humanidade.

O painel inclui nomes como a bióloga Leela Hazzah, o paleontólogo Keneth Lacovara, o casal de conservacionistas Dereck e Beverly Joubert ou os exploradores polares Borge Ousland e Jerome Chappellaz. Neste segundo dia, a GLEX Summit traz também aos Açores o testemunho da Colossal Biosciences, a empresa que se propõe ressuscitar geneticamente populações inteiras de mamutes extintos há milhares de anos.

Paralelamente ao programa da cimeira no Teatro Micaelense, a GLEX Summit vai também realizar esta terça-feira uma visita ao Faial e ao Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos que juntará a elite dos cientistas da NASA.